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[art_2] Brasil: Até quando queimará a floresta?
O Brasil antes da Conferencia do Clima em Paris


De longe já se vê as nuvens de fumaça subirem para o céu. Mais uma vez, a floresta brasileira pegou fogo. As queimas anunciam a chegada da fronteira agrícola na floresta amazônica.


É bem verdade que o Brasil conseguiu frear o desmatamento da maior floresta do mundo. Nos últimos dez anos, a taxa de desmatamento caiu de um anual de 20.000 quilômetros quadrados, em 2004, para apenas 5.000 quilômetros quadrados. Mesmo assim, ainda há madeireiros ilegais, garimpeiros, pecuaristas e fazendeiros que continuam desmatando.

Na maioria dos casos, a degradação segue o mesmo esquema: primeiro vem os madeireiros, que tiram as madeiras caras e raras da floresta. O resto é queimado por pecuaristas, para transformar a terra em pastos para os bois. Depois, vira plantação de milho e de soja.


Para o melhor controle contribuiu também o avanço tecnológico dos satélites, que hoje em dia tem uma resolução de imagens cada vez melhor, possibilitando detectar incêndios florestais em tempo real. Mas reduzir o desmatamento para taxa zero é difícil. Pois a lenta burocracia brasileira tem problemas em resolver questões legais de posse de terra, de definir demarcações de terras indígenas, de parques naturais e de propriedades no meio da floresta.

Presidenta Dilma Rousseff anunciou recentemente querer zerar o desmatamento ilegal até 2030. Enquanto alguns ativistas acham tal meta pouco ambiciosa, especialistas duvidam do prazo. Estima-se um prazo maior, de até 2060, para resolver os nós jurídicos em volta da posse da terra.

O governo brasileiro apresentará suas meta climáticas de redução de emissões de gases do efeito estufa na Conferencia do Clima em Paris, no final e novembro. O desmatamento sempre foi responsável por grande parte das emissões, sendo que em 2005, ano com uma taxa de desmatamento na casa dos vinte mil quilômetros quadrados, o desmatamento foi responsável por 58 por cento das emissões. Em 2012, quando a taxa de desmatamento bateu nos cinco mil quilômetros quadrados, o desmatamento emitiu apenas 15 por cento do total de emissões.


A próxima tarefa é virar o jogo – ao invés de reduzir o desmatamento, chegou a hora de reflorestar. Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff anunciou o reflorestamento de 12 milhões de hectares até 2030. As florestas brasileiras agradeceriam essa iniciativa. Pois são considerados os pulmões do mundo, responsáveis pela estabilidade do clima em nosso planeta.

Texto e fotos: Thomas Milz

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