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[art_2] Brasil: Uma casa para Stefan Zweig
Sobre o museu de Zweig em Petrópolis
 
70 anos atrás, o livro "Brasil, País do Futuro" de Stefan Zweig chegou nas livrarias. Lançado em plena guerra mundial pelo famoso escritor que se tinha refugiado no Brasil, para escapar dos nazistas, o livro trata o país como um "Paraíso tropical". Em fevereiro do ano que vem, a morte de Zweig também completa 70 anos. A pequena casa em Petrópolis, onde ele passou os últimos meses de sua vida, está sendo reformada, com ajuda financeira vindo da Alemanha, para, futuramente, abrigar um museu. A abertura está planejada para as próximas semanas.



Mario Azevedo, o arquiteto responsável pela reforma da casa, mostra os avanços com muito orgulho. Em meses de trabalho duro, ele e seus funcionários colocaram a casa de volta ao seu estado de setenta anos atrás. Pela pequena varanda se entra na casa. Aqui, Zweig costumava sentar para trabalhar, e foi aqui que ele escreveu uma das suas obra-primas, "Uma partida de xadrez". No jardim, em frente à varanda, será construído um auditório e uma biblioteca, explica Azevedo.

O idealizador atrás do projeto é o jornalista Alberto Dines, autor da excelente biografia "Morte no paraíso", sobre aqueles meses que Zweig passou no Brasil. Dines conseguiu comprar, com a ajuda de amigos, a pequena casa nas montanhas de Petrópolis, situada há uma hora do Rio de Janeiro.





Nós falamos com Alberto Dines sobre os planos para a casa de Zweig:

Já se passaram quase setenta anos desde a morte de Stefan Zweig. Ele ainda é lembrado e lido?
Em Petrópolis ainda há pessoas vivas, mas muito velhas, que se lembram dele… Mas muita gente nova ouviu falar de Stefan Zweig, se interessou e leu as obras dele. Fizemos uma exposição no começo deste ano - "Stefan Zweig vive", aqui em Petrópolis. Não queremos falar tanto na morte dele, que foi uma coisa dramática, e nunca vamos esquecer esse fato. Mas ele está vivo, pois a obra dele está muito vivo.

Prova disso é que o livro "Brasil, país do futuro", que completou 70 anos agora, ainda desperta muito interesse. Quando Obama esteve no Brasil, fez dois discursos, e nos dois mencionou "o país do futuro".



Como a casa vai ficar depois das reformas?
Vamos fazer um centro de memória, não apenas dedicado a Stefan Zweig, mas também a todos os intelectuais, artistas e cientistas que fugiram do nazi-fascismo. Então vai ser um memorial do exílio.

E vamos reproduzir como ele vivia. O Zweig não era pobre, mas viveu muito mal naquela casa em Petrópolis. Foi uma vida difícil e complicada. A gente vai fazer um pequeno filme para o visitante, que com isso vai ser remetido ao passado.



Texto, fotos e entrevista: Thomas Milz

Veja também:
Perdido no paraíso Stefan Zweig no Brasil (Parte 1)
Perdido no paraíso - (parte 2) Stefan Zweig no Brasil - uma entrevista com Alberto Dines

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