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[art_3] Brasil: Adeus a um amigo fiel
A Ilha Grande, novamente
 
Na Ilha, novamente! Depois de tantos anos boto meu pé mais uma vez naquele paraíso do litoral fluminense. Não mudou muita coisa. Um segunda cais para os barcos turísticos, algumas pousadas novas (dizem que já tem mais de 200 agora). Liguei para Claude e Mara ontem, "oi, vocês se lembram de mim?" Silencio no fim da linha, depois um "P...a, onde você estava todo este tempo? Pensamos que você tivesse voltado para a Alemanha...."



Agora os dois estão na minha frente, um pouco mais velhos, como todos nos. Mas do resto, não mudou nada. "Não olhe para o jardim - Mara está reformando tudo mais uma vez." Claude vira os olhos para cima. "Sempre tem de refazer as coisas...."

Querem ampliar os quartos nos fundos do jardim, torná-los mais confortáveis, "para botar um grupo de até quatro pessoas lá," diz Mara. Ela está preparando arroz, feijão e bife para todo mundo. Menos para Claude, que foge da movimentação.

Só aparece mais tarde, quando os outros já deixaram a casa. Joga um peixe na frigideira e esprema bastante limão por cima. "Agora EU vou preparar um almoço de verdade para mim!" Na mão o inevitável cigarro.

A barba mais curta, os cachos brancos cortados bem curtinhos e - nada de chapéu! Quando pergunto sobre o chapéu ele vira os olhos para cima e permanece calado. Anda uns passos pela cozinha e quase cai sobre uma sombra entre suas pernas. "Esse gato está enchendo muito saco!" xinga.

O gato simplesmente entrou na casa um dia e não quis mais sair. Quer dizer, Mara decidiu ficar com ele. Como se chama o gato, quero saber. "Miau, bruiihhhnn ou algo assim. Pode escolher" diz, com um sorriso um pouco maldoso.

Na manha seguinte o gato está dormindo na cadeira em frente do buffet do café da manha. Mara o pega carinhosamente e senta na cadeira com o animal no colo. "Entrou aqui, deitou e desde então mora com a gente." O gato curtindo o cafuné....

Um pequeno cachorro sai pela porta da cozinha, vestido com uma jaqueta vermelho-branca. "A minha sogra o deixou com a gente. Bom, melhor o cachorro da sogra que a sogra!" explica Claude. "Foi mordido ontem por um cachorro grande. Por isso coloquei a jaqueta nele, para que ele não lamba a ferida."

As patas dianteiras completamente tortas. "Sim, sei..." Claude dá risada. "E sabe como ele se chama? Raí! Como o jogador de futebol." Ele está se divertindo. E nosso amigo Pom-Pom, o cachorro mais sem vergonha e de tanto cacho quanto seu dono Claude? Ele está aprontando o que, e onde?

"Meu velho amigo Pom-Pom, companheiro fiel de tantos longos anos.... morreu em fevereiro." Claude olha para o mar escuro, de olhos tristes. Uma tempestade aparece no horizonte. "Foi a doença do carrapato. Levamos o coitado ainda para um veterinário em Angra dos Reis e um hospital no Rio, mas eles não tinham mais como salvá-lo. Merda de carrapato."

Infelizmente já tenho que ir embora. "Na próxima vez venho com mais tempo," prometo de cachorro e gato encostados na minha perna. Os dois se dão bem, aparentemente. Novos amigos, velhos amigos. Claude acena. "Até logo!"

Texto + Fotos: Thomas Milz

A pousada "Mara e Claude" fica na Rua da Praia, 333, Vila de Abraão. Telefone: 024 - 3361-5922. Mais informações e fotos da pousada e da Ilha Grande no site www.ilhagrande.com.br. Para perguntas ou contato: tom@caiman.de.

Claude e Pom-Pom em nosso arquivo:
Pom-Pom e o chapéu do Senhor Claude
Senhor Claude revisited - De volta á Ilha Grande

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