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[art_1] Brasil: Rapte-me camaleão! – 70 anos Caetano Veloso, Vol. 3 (Vol. 1) (Vol. 2)
Araçá Azul e as frustrações de um menino mimado
 
De volta ao Brasil, Caetano logo entra num estúdio para gravar. Depois de "Transa", seu primeiro disco experimental, ele segue com "Araçá Azul", um álbum ainda mais experimental. Ou, talvez melhor dito, confuso. Com este disco, ele queria "reviver os pesadelos de 68, reativar o que tinha na mente naquele momento de conflito," como ele mesmo disse mais tarde. "Uma versão tardia do disco concretista-paulista que queria fazer em 68/9."



O resultado é um disco com ambição vanguardista, mas logo Caetano realizou que fez um álbum fraco, tanto musicalmente como, também, tecnicamente. "No Brasil tinha coisa melhor naquela época, como Jorge Ben Jor...". Anos mais tarde, Caetano se chamou de "menino mimado", que voltou de Londres um pouco fora das noções.

Na maioria do tempo, "Araçá Azul" mostra conversas sem sentido, misturadas com sons ambientais da Bahia, como em "De palavra em palavra" e em "De palavra / cravo e canela". O único destaque musical é "Tu me acostumaste", música do cubano Frank Dominguez, de 1957. Fora disso, um pouco de Rock ("De cara / eu quero essa mulher"), batucada com samba ("Sugar cane fields forever") e uma música para seu futuro filho ("Júlia / Moreno").



Depois do fracasso do álbum, Caetano definiu seus próximos passos: "readquirir a humildade e contribuir para as conquistas técnicas e mercadológicas da minha classe."

Ainda em 1972, lança "Caetano e Chico juntos ao vivo", gravação de um show no Teatro Castro Alves em Salvador e a primeira colaboração com Chico Buarque. Destaque para "Partido alto", música de Chico, que Caetano canta com muita raiva na voz. Depois ele apresenta sua música "Tropicália" e, logo em seguida, "Morena dos olhos d`agua", outra obra prima de Chico, apresentada por Caetano com uma beleza raramente ouvida. Outros destaques são "Você não entende nada / Cotidiano", "Os argonautas" e "A Rita".

Durante o show, os dois apresentam músicas da peça "Calabar", proibida pela ditadura. A censura encobre partes de músicas do disco com palmas e barulho da plateia. Coisas daquela época.



Logo em seguida, Caetano se mudou para o Rio de Janeiro, para fazer psicanálise. Não estava gostando dos anos 70, da cultura nova vindo da Europa e dos Estados Unidos. Difícil chegar nos anos 70, e difícil achar seu lugar na velha pátria.

Só em 1974 Caetano deu sinal de vida - "Temporada de verão", disco ao vivo gravado com os amigos Gilberto Gil e Gal Costa, que já anuncia os "Doces Bárbaros" de dois anos depois. O disco traz poucos destaques, apenas "De noite na cama" mostra a genialidade de Caetano.



Mas logo os tempos iam melhorar. O ano 1975 traz dois discos "irmãos", e a partir daí Caetano se tornaria novamente o mestre da música pop. Mas disso vamos falar no mês que vem. Tudo Jóia?

Texto + Fotos: Thomas Milz



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