ed 02/2008 : caiman.de

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[art_3] Brasil: Escala na Bahia
Dom João VI em Salvador


Segunda parte da nossa trilogia sobre a fuga da corte portuguesa para o Brasil
(parte 1 / parte 3)

Quase dois meses durou a viagem da corte portuguesa e da sua escolta inglesa para o Brasil. Iniciada no dia 29 de novembro de 1807, quando os soldados de Napoleão já se aproximaram de Lisboa, a viagem foi sofrida e não tinha nada de realeza.

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Enquanto o gordo príncipe Dom João VI e sua família pelo menos gozavam do privilegio de um próprio banheiro, os milhares de acompanhantes sofriam diante da falta de espaço e de higiene. Só na nau capitânia Príncipe Real com seus 67 metros de comprimento viajavam nada menos que 1054 pessoas. As condições higiênicos eram catastróficos e a comida insuficiente. Até as damas da família real foram aterrorizadas por piolhos e tinham que raspar o cabelo.

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E como se tudo isso não bastasse, uma tempestade sacudia a frota real durante três dias, quebrando mastros e velas. Os navios foram dispersas e se encontraram apenas no destino final, meses depois no Rio de Janeiro. Mais tarde, no fim de dezembro de 1807, ficaram parados no meio do Atlântico por dez dias por falta de vento.

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A metade da frota, liderada pelo Príncipe Real com Dom João VI a bordo, chegou no porto de Salvador da Bahia no dia 22 de janeiro. Dom João VI tinha mudado o percurso no meio da viagem e decidido fazer uma escala em Salvador para assegurar o apoio do país inteiro. Precisava de um Brasil unido na luta pela sobrevivência da corte no outro lado do mundo.

Sob os gritos da população e as salvas de canhões, o príncipe desembarcou na manhã do dia 23 de janeiro. Assim, tornou-se o primeiro e único rei europeu que jamais colocou seus pés numa colônia americana.

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Logo depois da sua chegada em Salvador, Dom João VI fundou a primeira faculdade de medicina do Brasil. Mas seu ato mais importante e com as maiores conseqüências para a historia do país foi a abertura dos portos brasileiros para os navios comerciais das nações aliadas, declarada no dia 28 de janeiro em Salvador.

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Obviamente foram os navios ingleses que se beneficiam desse ato. A partir de agora, os produtos deste país dominaram o mercado brasileiro e aceleraram, assim, o declínio de Portugal como nação de comerciantes. O que parecia um gesto de agradecimento (ou talvez uma exigência dos ingleses?) pela ajuda na fuga e na luta contra os franceses, resultou, anos mais tarde, na independência brasileira e no fim do império comerciante português.

Alem destes atos, a estada do príncipe em Salvador foi marcada por muitas festas. Chegou a jogar moedas de ouro para seu povo enquanto passeava pelas ruas da cidade. Assim não foi uma surpresa que a população pediu que ele ficasse na cidade, ao invés de seguir sua viagem para o Rio de Janeiro.

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Mas nada adiantava. No dia 26 de fevereiro, Dom João VI e sua corte embarcaram nos naus da frota portuguesa para seguir para o sul – iniciando, assim, a ultima etapa da viagem da corte portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. O que aconteceu depois, a gente conta aqui em Março.


Texto + Fotos: Thomas Milz

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