ed 01/2015 : caiman.de

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[art_3] Brasil: Sociedade 7 a 1
O Brasil pós-Copa
 
Poderia ter sido 8 a 0, mas Mesut Özil, ao invés de passar a bola para o livre livre livre André Schürrle, decidiu, aos 44 minutos do segundo tempo, tentar a própria sorte. Deu bola pra fora. Segundos depois, Marcelo acha Oscar que é mais rápido que Mertesacker e Boateng juntos e faz o gol da honra. Fim, 7 a 1.

Desde então, 7 a 1 virou uma metáfora para tudo que dá errado. Temos que admitir que tal placar, ao contrário do possível 8 a 0, tem uma estética interessante: o sete se parece com um "um" caído, ou, melhor, inclinado por 45 graus para a direita. Parece pouca coisa, mas faz toda a diferencia, como a gente sabe.
 
Pois desde aquele dia 8 de Julho, nada é como era antes no Brasil. E, ao mesmo tempo, tudo continua como antes. Depois do fracasso colossal que se desenrolou no Mineirão em BH, tudo mundo concordava: está tudo errado. O futebol brasileiro, que vivia só do glorioso passado, agora precisava de reformas profundas a lá Alemanha. Seguindo tal pensamento, melhor mudar tudo de vez, já que na verdade no Brasil tudo está errado.

Penso que só no "País do Futebol" uma única partida (perdida) pode sacudir uma sociedade de tal tamanho, e tão profundamente. Na saúde, na educação, na bolsa de ações, na economia -  de repente, o Brasil tomava de sete a um em tudo. "2014, o ano em que pagamos o mico" titulou uma revista. Que fase, hein?
 
Claro que no meio deste mau-humor constante não tinha clima para fazer reformas; pelo contrário, as coisas andam como sempre. Publicaram nas redes sociais que a palavra do ano foi "Gol da Alemanha". E para começar 2015 com o pé direito, trocaram o gramado do Mineirão. Precisaram de setenta e cinco caminhões para transportar o verde para o lixão, e cinco deles logo jogaram a grama no meio da rua na Pampulha.



Me pergunto porque não cortaram a grama em pedaços e as venderam para os alemães? Assim, aquele 7 a 1 teria servido para algo, pelo menos.

Texto + Fotos: Thomas Milz

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